segunda-feira, 19 de abril de 2010

Leite Materno Deve Ser Sempre Prioridade

As vantagens da amamentação são inúmeras e reconhecidas por todos, quer para o bebé, quer para a mãe. Por isso, deve ser considerado sempre como uma prioridade.


O leite materno é qualquer coisa de extraordinário. É diferente, é um alimento vivo, tem células, protege as crianças contra as infecções de uma maneira altamente eficaz”, considera o especialista do serviço de neonatologia do Hospital S. Francisco Xavier, António Honrado Lucas, exemplificando: “é impossível um bebé de dois meses, enquanto alimentado a peito, ter uma gastrite”.

O leite materno é um alimento vivo, completo e natural e as suas vantagens são múltiplas e reconhecidas, quer para o bebé, quer para a mãe. “Em termos psicológicos, até a mãe fica mais segura, sente que está a contribuir para a saúde do seu bebé”, acredita António Honrado Lucas. É consensual que a duração ideal do aleitamento materno exclusivo é de seis meses, “embora nos tempos que correm, a Organização Mundial de Saúde (OMS) aceite os três meses”.
De acordo com os especialistas, o leite da mãe tem um efeito protector entre outros, sobre as alergias, infecções gastrointestinais, respiratórias, urinárias e diabetes. Por outro lado, António Honrado Lucas acrescenta que algumas situações frequentes nestas fases, nomeadamente as cólicas abdominais, podem ser minimizadas: “embora, as cólicas sejam uma questão multifactorial, que tem que ver com o meteorismo ou o stress do bebé, sem dúvida que a amamentação é benéfica, tornando o problema menos frequente”.
Ao mesmo tempo, para a mãe facilita uma involução uterina mais precoce e associa-se a uma menor probabilidade de cancro da mama. A enfermeira do Centro de Saúde da Parede, Adelaide Órfão e responsável pela Associação de Aleitamento Materno de Portugal – Mama Mater acrescenta mais algumas das vantagens.

O leite da mãe transmite um património vivo e, por isso, para além do ponto de vista fisiológico, induz o equilíbrio neurológico, a maturação e modulação do próprio crescimento do bebé, (que compreende o desenvolvimento do intestino e que diminui todo o número de doenças associadas), e o próprio bem-estar que se reflecte na mãe”.

Alguns estudos revelam que mais de 90 por cento das mães portuguesas iniciam o aleitamento, se bem que quase metade das mulheres desistem de dar mama durante o primeiro mês de vida do lactente. É com o intuito de contribuir para aumentar as taxas de amamentação em Portugal que existe a Mama Mater.

A associação existe por duas razões. Por um lado, a OMS, com a chancela da Unicef, aconselhou a organizar cursos de apoio e promoção à amamentação e por outro, as próprias mães consideravam que através de uma associação deste tipo teriam mais força e apoio na comunidade local”, explica Adelaide Órfão.

Não há dúvida que amamentar oferece mais oportunidades para que mãe e filho se olhem mais vezes e para que consigam ter uma linguagem perceptível aos dois”, acredita a responsável pela Mama Mater, e diz ainda que é também um bem para a família.

A mãe tem menos depressão pós-parto. E do ponto de vista do pai, a grande maioria, é a favor de que as suas mulheres amamentem, pois sentem que os bebés ficam bem entregues se tiverem a oportunidade de mamar o leite da sua própria mãe”, adianta Adelaide Órfão, e conclui que o bebé fica efectivamente mais apto, “com as suas competências desenvolvidas e operacionalizadas”.

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