domingo, 6 de junho de 2010

Conhecendo Um Pouco da História sobre FACTORES DE TRANSFERÊNCIA -

As diversas espécies animais possuem um traço comum:
o Sistema Imunitário.
Trata-se de um conjunto de mecanismos orgânicos [células e moléculas] com as funções de perceber, identificar e combater invasores estranhos, e potencialmente danosos, ao organismo sejam eles microrganismos ou substâncias.
Desde os primórdios, as diferentes espécies vêm acumulando informações imunológicas que lhes permitam subsistir em seus habitats.
Este “conhecimento” é transferido de geração para geração [Imunidade Inata] e aumenta à medida que as descendências tenham que se defender das investidas de intrusos até então desconhecidos de seus Sistemas Imunitário [Imunidade Adquirida].
A história dos povos revela uma prática generalizada entre os chineses. Eles retiravam material das pústulas de pacientes em processo de recuperação de varíola e, após secar e macerar o material, transformando-o em pó, ministravam-no às crianças por meio de inalação directa. Assim, as crianças que inalassem o tal pó tornavam-se resistentes à varíola. Um exemplo claro de acréscimo de conhecimento do Sistema Imunitário.
No final do século XVIII o médico inglês Edward Jenner fez publicar um tratado sobre vacinação [do latim vaccinus = das vacas].
Jenner observou uma peculiaridade entre mulheres que por ordenhar vacas contraíam varíola bovina. Uma vez recuperadas da infecção nenhuma delas contraiu varíola humana. Essa observação o animou a injectar no braço de um menino com 8 anos de idade, material recolhido de uma pústula variólica bovina.
Após algum tempo, Jenner inoculou varíola humana e constatou que a infecção não se desenvolveu no organismo do menino.
Essa experiencia realizada por Jenner também demonstra que a informação imunológica transcende a espécie onde se origina, ou seja, a célula, molécula, substância ou o que fosse o portador da informação do doador, não é rejeitado pelo receptor e mais, as propriedades características da informação imunológica não são alteradas pelo organismo do doador. Mais de dois séculos passados, esta centelha evoluiu para um grande foco de luz na pesquisa de portadores de informação imunológica gerados em outras espécies animais.
A partir da década de ’60 o desenvolvimento de técnicas em cultura celular provocou uma expressiva transformação do conhecimento sobre o Sistema Imunitário e sobre as funções a ele ligadas.
O que era uma ciência particularmente descritiva, gradativamente se tornou explicativa dos fenómenos da imunidade sob a óptica estrutural e bioquímica.
A ciência denomina Resposta Imune à acção colectiva e coordenada das células e moléculas do Sistema Imunológico diante da introdução iminente de substâncias estranhas ao organismo. As reacções iniciais de defesa contra micróbios cabem à Imunidade Inata, que é a responsável pela activação das respostas mais tardias da Imunidade Adquirida.

Imunidade Inata
É um conjunto de mecanismos que precedem a infecção. Respondem rapidamente aos micróbios e repetem as reacções quando as infecções são recidivas. Esse conjunto é composto principalmente por barreiras de ordem física e química: epitélios e substâncias antimicrobianas originadas nas superfícies epiteliais; células fagocitósicas; células Assassinas (Matadoras) Naturais [NK=Natural Killer]; proteínas do sangue inclusos os membros do Sistema Complemento e outros mediadores da inflamação e; citocinas [proteínas] que coordenam e regulam várias actividades celulares da Imunidade Inata.

Imunidade Adquirida
Assim denominada porque após se haver desenvolvido como resposta imunológica à infecção, se adapta a ela. Suas características exprimem alta especificidade para a variedade de macromoléculas ao lado de uma “memória” capaz de activar respostas cada vez mais intensas quando o organismo se vê exposto ao mesmo micróbio.A Imunidade Adquirida compõe-se de linfócitos e seus produtos. As substâncias estranhas que induzem respostas específicas e se tornam alvos dessas respostas, chamam-se antígenos. Há dois tipos de resposta Imune Adquirida. Uma delas é a Imunidade Humoral e a outra é a Imunidade Mediada por Células [Imunidade Celular].

Imunidade Humoral
É mediada pelos anticorpos que são moléculas de sangue geradas por Linfócitos B. Os anticorpos têm por objectivo o reconhecimento específico dos antígenos microbianos, neutralizando a infecciosidade dos micróbios e marcando-os para a eliminação via mecanismos efectores. É o principal mecanismo de defesa contra os micróbios extracelulares e suas toxinas.Imunidade CelularA mediação é feita por células chamadas Linfócitos T.
Microrganismos intracelulares, como os vírus e algumas bactérias, sobrevivem e multiplicam-se no interior dos fagócitos e de outras células do hospedeiro, tornando-se inacessíveis aos anticorpos circulantes. A defesa contra essas infecções é uma função da Imunidade Mediada por Células, que destrói os micróbios alojados em fagócitos ou acciona a lise das células infectadas.

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